2006 foi um ano excelente. Ao mesmo tempo, foi provavelmente o ano em que menos escutei música (sem exagero, nos últimos dez anos não houve um único ano em que eu tenha escutado tão pouca música quanto em 2006). Maioridade? Trabalho? Não sei. Não vou criticar a qualidade das bandas que surgiram esse ano, tampouco vou dizer que rock bom era o rock que eu escutava na minha adolescência. Isso é papo de reacionário. Mas sinto que, sem dúvida, o fato de ter corrido pouco atrás de música me tornou um sujeito mais… hmmm… menos preocupado com música, daí menos preocupado at all (música sempre foi uma grande preocupação). Em vez de correr atrás dela, deixei ela me alcançar. Então, minha lista de melhores do ano (às vezes lista, às vezes apenas uma declaração).
Melhor disco: Return to Cookie Mountain - Tv On The Radio
Em quase toda lista de melhores desse ano, esse disco estava presente. Nas listas que eu respeito, o lançamento desse ano do TVOTR estava sempre entre os 5 melhores, mas nunca em primeiro. Exceto na lista do Beck. Beck é um dos meus maiores ídolos, mas o disco dele não tocou fundo em mim (é bom, mas não excelente). Return to Cookie Mountain é um disco que eu vou continuar escutando anos a fio, vou escutar muito ano que vem. A produção maravilhosa de David Sitek encontra composições excelentes (muito melhores que as do primeiro disco da banda ou do debut do Yeah Yeah Yeahs), os vocais de Abedimpe podiam estar recitando uma receita de bolo que me emocionariam, as texturas e o minimalismo do primeiro álbum foram elevadas à n-ésima potência.
E não vou contrariar o Beck.
Melhor música: “Rocks” - Caetano Veloso
Que outra canção tem uma frase como “Tatuou um ganesh na coxa”? Aliás, que outra música começa com “Tatuou um ganesh na coxa”? Caetano pode tudo (musicalmente falando), faz de tudo e continua soando excelente.
Quem não curtir pode morder o próprio cu.
Melhor show: New Order
O show do Caetano no Circo foi foda, mas a cada três anos no máximo podemos contar com um novo show dele no Rio. A apresentação do Franz Ferdinand também no Circo foi destruidora, mas o Franz não tem o peso e a importância do New Order — na minha vida e na vida do rock.
O show do New Order não foi perfeito, o Vivo Rio é uma merda, mas vê-los ao vivo sem serem caricaturas de si mesmos já seria compensador. Vê-los mandando muito bem, com um puta clima de despedida foi emocionante. Ver Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner em ação juntos, tocando clássicos com o mesmo vigor de quando eles foram compostos foi acachapante.
E ainda vi 75% do Joy Division tocando “She’s Lost Control”. Nunca imaginei que fosse ver isso.