Archive for the 'Falando mal' Category

header mulder - Por Eduardo Mulder

Semana passada ouvi umas presepadas interessantes. Veja só :

Hot Hot Heat - Bandages (acoustic) : Caramba, chega né? Espero que não toquem essa versão no Nokia.


Art Brut - The Great Escape
: Divertido cover da descartável banda We Are Scientists. Só gostei porque a voz do Eddie Argos muda completamente a música.


We Are Scientists - Hoppipolla (acoustic)
: Por falar nela… Ora bolas, cover desnecessário da linda música do Sigur Rós. Soa Emo!

Green Day + U2 - The Saints Are Coming
: Fechando o post de hoje com a presepada maior. Não ouvi a versão original do The Skids, mas essa é bem chatinha.

O clipe :

Oct 11

Tão dividido

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header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Assim me sinto depois de escutar o novo álbum do … And You Will Know Us By The Trail of Dead, misteriosa banda de Austin, TX (o mistério fica por conta da quantidade de mentiras que os caras contam, sobre suas origens, influências etc).

So Divided é disco é o quinto da banda, e o terceiro pela major Interscope. Depois de dois discos melódicos e furiosos (remetendo a Sonic Youth e Mission of Burma), o primeiro pela gravadora foi o excelente Source Tags & Code, um dos melhores discos da década e de todos os tempos, uma das raríssimas notas 10,0 da Pitchfork, meu disco predileto e a perfeita combinação entre indie rock, experimentalismo, punk, space rock com uma pitada de dream pop. Em seguida, veio a apreensão da “obra seguinte”, e a decepção de Worlds Apart, um trabalho pretensioso, pouco coeso e que teve reações medianas da crítica e público.

Estava criado o cenário para o lançamento do quinto álbum: se por um lado os fãs ansiavam pelo próximo passo, a mídia não mostrava tanto interesse (afinal, a seqüência de uma obra-prima chama atenção, e não a de um fiasco). A crescente tensão no relacionamento entre a banda e a gravadora (acusações de pouca promoção, pouco espaço na mídia etc) levou ao adiamento da data de lançamento do dia 3 para o dia 24 de outubro, e depois para o 14 de novembro, e isso culminou na decisão da banda deliberadamente vazar o álbum na data inicial para o lançamento.

O disco novo é o mais fraco: não dá para sacar se o disco é realmente sério, apontando para os novos rumos da banda (no caso, os anos 60 e 70 e o rock progressivo), ou se o disco é uma piada deliberada contra a gravadora, na qual eles tentam emular Pink Floyd e Beatles sem perder seus fãs. Talvez a maior qualidade do AYWKUBTTOD era saber dosar momentos de calma com tremendos esporros, e em So Divided eles não acertam a mão (os constrastes são tão grande que soam caricaturas de Pink Floyd). E até mesmo no irregular disco anterior havia bons momentos (”Caterwaul”, e em menor escala as razoáveis “Worlds Apart”, “Rest Will Follow” e “All White”). A única música do novo disco que realmente salta aos ouvidos é “Witches Web”, que na verdade é uma regravação de um antigo lado B.

Enfim, fico dividido entre achar que Source Tags & Code foi o trabalho de uma banda genial ou mero acidente de percurso. Enfim, o fato é que este disco existe, e por ele serei eternamente grato a essa banda. Após o iminente rompimento com a gravadora, resta saber se ainda sobrará alguma força criativa ousada o suficiente para tentar fazer um novo álbum que ao menos faça juz ao que eles já foram um dia.

header janco - Por Janco Tianno

Pra início de conversa: o que dá pra esperar de um disco que tem uma música chamada Bling? Pensa nisso enquanto eu faço um preâmbulo.

Parece sem sentido falar mal do disco novo do Killers, já que muita gente já fez isso. Mas a maioria desses comentários pode ser traduzido como “viu só, eu não disse que eles eram uma armação?”. Pois bem, eu vou falar mal do disco novo deles. Mas eu antes tenho que explicar porque gosto do antecessor.

Digam o que quiserem os detratores, Hot Fuss é um ótimo disco. A veia pop de Brandon Flowers & cia. ali era a carótida (ou a jugular, não entendo lhufas de sistema circulatório), indo direto do coração pra cabeça, via pescoço. Mesmo as músicas mais apagadas do álbum não fazem feio. E as demais são brilhantes. Fato: Mr. Brightside é uma das melhores músicas sobre paranóia romântica, ou síndrome do corno-de-véspera, já escritas. A crítica, à época, era de que o disco não traz nada de original. Bem, se você está procurando algo de original, talvez música pop não seja o lugar certo pra encontrar.

Trabalhemos então, com o entendimento de que o Killers é uma banda pop. Acordo? Passemos então à cidade do Sam.

Comparar o primeiro disco da banda com esse Sam’s Town é como comparar as Galleries Lafayette ao Sam’s Club. No que o primeiro era glamour, esse é brega. A banda já tendia ao kitsch (”I’ve got a soul/ but I’m not a soldier” faria você sentir vergonha alheia se não fosse uma parte tão pequena da letra de All These Things I’ve Done), mas esse disco faz a vitrine das Casas Bahia parecer chique. A tendência à grandiloquência (vide Glamourous Indie Rock’n’Roll) desbanca para a megalomania aloprada de troços como a descabida For Reasons Unknown. Ainda pior, Uncle Jonny traz backing vocals de musical da Disney e o que parece ser um xilofone. então, é apenas constragendora, da introdução ao refrão que canta, a sério: “Don’t you wanna come with me/ Don’t you wanna feel my bones/ Against your bones/ It’s only natural”. E se alguém conseguir me explicar o que são os dois primeiros minutos de My List, agradeço.

TheKillers - TheKillers
The Killers: se juntando aos Los Hermanos para provar que pretensão e pêlos faciais definitivamente não combinam.

Pra ser mais geral nos (muitos) problemas do disco. Os sintetizadores resvalam no pomperô dos 90. Todas, absolutamente todas, as músicas tem hordas deles, que entram sempre atropelando quando a voz cresce. E a voz só faz crescer. Quando segura a nota tentando soar épico, Brandon soa como se Freddy Mercury não tivesse batido as botas e hoje em dia retirasse seu sustento cantando para caipiras do meio-oeste americano em um cassino. E não é só no vocal: até no bigodinho ele parece a rainha. Enfim: no primeiro disco estava o melhor dos anos 80. Nesse, todo o resto. Aposto que tem uma gravata-teclado escondida em algum canto.

Mas o disco tem um feito e tanto: Bling consegue ser tão ruim quanto o nome.

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Dandy - Warhols

The Dandy Warhols - cordeirinhos

Nos primeiros quatro álbuns de sua carreira, os Dandy Warhols produziram músicas memoráveis o suficiente para encher um disco. Apenas um. Eles nunca emplacaram em casa (EUA), mas a mistura de refrões pegajosos, visual modernoso e indefinição sexual fez com que eles funcionassem junto ao público britânico.

Isso até 2004, quando o excelente (mas tendencioso) documentário DiG! ganhou o festival de Sundance. O filme contava as histórias paralelas dos Dandy Warhols e sua banda irmã/amante/nêmesis, o genial Brian Jonestown Massacre. Se os DW conseguiram contrato com gravadora e alguma badalação — apesar de serem uma promessa que nunca se cumpriu –, Anton Newcombe (o homem por trás do BJM) era o protagonista — além de ser quem primeiro descobre os DW, é um artista prolífico e um verdadeiro revivalista dos anos 60, no bom e no mau sentido (música e drogas, respectivamente).

Depois do sucesso do filme, os holofotes finalmente se viraram para Anton Newcombe, que até então cruzava a América em vans para realizar seus memoráveis e imprevisíveis shows, em bares sujos e clubes obscuros. E restaram duas pergunta: Anton Newcombe é um gênio mesmo? E os Dandy Warhols, qual o valor deles?

O primeiro lançamento de cada banda seria a resposta. Bem, diz um ditado que é melhor ficar calado e dar a impressão de burro do que abrir a boca e confirmar a impressão. Quanto a Newcombe, a pergunta foi respondida com uma charada curta, o mini álbum (não EP) We’re the Radio. São cinco músicas, duas instrumentais, minimalismo, sons orientais, psicodelia e pouca voz de Newcombe (a maioria dos vocais são femininos). Se não é uma obra prima, é um bom disco, um trabalho experimental com sonoridades orientais que remetem ao Their Satanic Majesties’ Request, disco singular dos Rolling Stones (aliás, Brian Jones, finado guitarrista dos Stones, é o principal culpado pelo disco e principal inspiração do BJM).

Por outro lado, os Dandy Warhols, querendo mostrar serviço, lançaram Odditorium or Warlords of Mars, o pior álbum de 2005. O disco começa com um curto spoken word sobre como eles inventaram o Rock’n’Roll depois da Segunda Guerra Mundial (isso mesmo, a origem do estilo de acordo os Dandy Warhols). Depois entra uma música de 9 minutos, seguida por outra de 7, ambas chatas e sem sentido (podiam ser músicas ruins de 3 minutos, mas de repente viram jams mal tocadas, cansativas e pouco criativas). As duas únicas músicas mais ou menos do disco “All The Money Or The Simple Life Honey” e “Down Like Disco”, se destacam não por serem boas ou catchy, mas pelo fato de serem apenas meia-boca em meio a tanta ruindade.

A impressão que dá ao terminar de escutar o disco é que eles tentaram seguir a fórmula Anton Newcombe de genialidade — ou seja, se entupir de drogas — mas como eles são fake prentensiosos não tiveram coragem de usar agulhas, então fumaram toneladas de maconha, acharam que músicas de nomes engraçados e 10 minutos de duração era sinônimo de brilhantismo e cheiraram um pouco, o suficiente para dar a autoconfiança para lançar um tiro no pé como Odditorium

Odditorium - Odditorium

Tão ruim que nem ninguém se lembra

PS: Mas por que o Odditorium é o pior de 2005, e não o álbum do Weezer ou o do Moby, apesar destes últimos serem mais desprezíveis que o disco da banda de Portland? Simples: porque eu ainda gostava dos Dandy Warhols, e tinha alguma fé no potencial deles, coisa que eu não tinha mais pela banda que gravou com Muppets nem pelo DJ cristão.

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

(Você deve estar se perguntando: essa série não vai terminar? Lógico que nãããããão. Para cada banda nova boa que surge, há outras dez ruins, e provavelmente vai ser uma dessas que fará sucesso).

The Vines

Os australianos do Vines promovem seu som como “o encontro dos Beatles com Nirvana”. Pretensão e música de lado*, eles são conhecidos pelo rebuliço causado pelo vocalista, Craig Nicholls, em cima e fora dos palcos. Em 2004, em um processo por um dos seus muitos alvoroços destrutivos, Craig foi diagnosticado com Sindrome de Asperger, daí se safou de ser enjaulado.

Sob pretexto de sua doença, ele acabou ganhando a primeira página da NME, que de ídolo babaca adolescente passou a tratá-lo como gênio doente transtornado. Bem, pelo menos ele declarou que não pode mais fazer longas turnês, por conta da síndrome.

* Ao contrário de outras formas de autismo, alguns portadores de Asperger tendem a se destacar, como Albert Einstein, Isaac Newton, Ludwig Wittgenstein e Stanley Kubrick. O que levanta a dúvida se Nicholls de fato tem a doença ou não: teria ele apenas usado a síndrome para se safar da prisão? Ou o mongolismo dele foi mal diagnosticado? O fato é que ele provou ser um medíocre compositor e cantor, talvez um misto de Ringo com Pat Smear, se seriamente comparado ao Nirvana e Beatles.

Craig Nicholls - The Vines

Nicholls: Asperger ou mongolismo?

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Mais uma leva da minha visita pelas piores bandas dos primeiros anos 00 do milênio. E não, apesar do clamor dos leitores, não vou incluir Maroon 5 na lista. Não que eu simpatize com eles, mas a banda foi formada em 1997. Sorry!

She Wants Revenge

Banda de produtores — também conhecidas como bandas caça-níquel — não são novidade. Funcionam assim: produtores amigos, a fim de provar seu valor como criadores (e ainda ganhar um troco), se juntam e fazem um disco irresitivelmente vendável. Aconteceu assim com o Garbage (pelo menos nos dois primeiros discos, antes de o sucesso e a grana fácil lhes subir a cabeça — em detrimento da qualidade musical).

O problema é quando a banda de produtores é formada por caras falidos que não produzem um sucesso há anos. É o caso do She Wants Revenge. Menos um caso de genuina criatividade artistica e mais um exemplo de caras que sabem mais de três acordes e decidem pegar jacaré numa onda gigante, esse duo não se inspira no pós-punk sombrio do início dos anos 80; eles desenterram os restos mortais de Ian Curtis e chuparam o tutano dos ossos, num baixíssimo exemplo de chupação e necrofilia.

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Continuando nossa listagem de piores bandas novas, mais dois exemplos do que não fazer me matéria de música.

The Babyshambles

Não vou falar mal do Libertines. Afinal, Carl Barat teve o bom senso de pedir a conta na hora certa (ou seja, quando a decadência era iminente).

Quando foi expulso do Libertines, Pete Doherty perdeu a principal fonte de dinheiro para suas drogas. Daí ele aproveitou sua fama e prontamente formou o Babyshambles. O problema é que você não pode estar doidão de heroina e cantar ao mesmo tempo (o que, aliás, foi o motivo pelo qual ele foi expulso do Libertines). O que ele fez então? Passou a se meter em uma série interminável de escândalos, de modo que a grana que ele ganha dos tablóides vai direto pra colher e dali para uma veia ainda não apodrecida.

Doherty - junk

Doherty ao vivo (ou seria morto-vivo)?

My Chemical Romance

Falar mal de Emo é algo que beira o senso comum. Particularmente, não tenho nada contra essa subcultura juvenil pós-moderna, portanto vou fazer uma análise dessa banda sem incorrer aos chavões normalmente associados à crítica do “movimento emo”.

Também não vou criticar o fato do vocalista parecer o Jack White (disso ele não tem culpa), de eu não poder levar a sério uma banda cujo baixista se parece comigo, nem de que um dos guitarristas (o gordo de cabelo ruim) parece saído do Bidê ou Balde (principalmente quando aparece usando gravata).

O motivo para detestar o MCR é mais simples. Antes, você deve baixar a música carro-chefe deles, “Helena”. Baixou?

Agora de play: esqueça as guitarras. A produção. O barulho. A bateria metricamente ajustada pelo ProTools. Concentre-se nos vocais. Na melodia vocal. Só nisso. A música vai… segue… chega no refrão. Agora, atenção no vocal do refrão.

É Sandy & Junior! Não propriamente alguma música deles, mas o estilo! Escuta os agudos! O modo de cantar as mazelas do coração! O falsete! Bizarro.

Heavy Sandy Junior - Pós Mela-Cueca

O cara do meio não é o Jack White. Antes fosse

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Há quem odeie Strokes. Há quem odeie Yeah Yeah Yeahs. Há quem tenha ojeriza a qualquer coisa nova. Eu, em particular, adoro conhecer bandas novas (mas confesso que me sinto mais satisfeito ao re-descobrir um artista antigo obscuro).

Bem, é fato que a internet fez com que novos artistas tivessem o poder de atingir muito mais gente mais rapidamente (e ao mesmo tempo gerou uma maior concorrência pela atenção de quem gosta de música). Alguns artistas conseguiram atenção do público, de gravadoras, mas se destacam entre seus contemporâneos por produzirem pérolas de ruindade, que daqui a 20 anos serão tocadas na Ploc 00, causando em quem escuta um certo “guilty pleasure”.

Então não perca tempo: comece a odiar essas bandas hoje!

Keane

Vocalista do Keane - Slot + Drogas

O que dizer de uma banda tem popularidade entre adolescentes, toca direto na rádio, não merece nenhum crédito por seu trabalho enquanto arte, é alvo fácil da crítica e se pretende como banda de rock? Não, não estou falando do Keane, e sim do Jota Quest. Mas sim, tudo que eu disse pode ser aplicado ao Keane. E o simples fato de eu poder correlacionar uma banda com o Jota Quest a torna um dos maiores erros do showbiz da atualidade.

Além disso, Tom Chaplin é a mistura do Slot drogado com o Rock Dennis, ou seja, uma espécie de aborto, tudo que você não deve ter em um frontman (a não ser que você esteja em uma banda punk e queira um vocal freak).

The Darkness

Você forma com seu irmão uma banda de hard rock farofa, com vocais deliberadamente inspirados no Queen e faz sucesso com um single. OK, até o Massacration fez sucesso com sua paródia de “maior banda de heavy metal do mundo”. Exceto que… Meu Deus, o Justin Hawkins se leva a sério! Esqueceram de avisar a ele que qualquer piada, seja ela boa ou ruim, tem que ser curta, tem que terminar. E o Darkness segue para o terceiro disco, com Justin Hawkins cheio de pó e se acreditando artista. (PS: o descrédito dele começa na escolha da influência — Freddie Mercury. Se é para imitar o bigodudo, pelo menos faça o favor de morrer).

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Ainda devo o Dandy Warhols.

Mas antes, preciso me retratar junto aos leitores.

“This is such a pity”, do Weezer, é uma merda. Grande. Gigantesca. Desde o primeiro segundo, quando entra a guitarra transbordando chorus (efeito de guitarra muito popular nos anos 80, sobretudo no rock brasileiro — vide qualquer coisa da época do Lobão e Paralamas do Sucesso) e uma linha de teclado que faria o Frank Aguiar enrubescer de tão bizonha (parece um misto de trilha de Nintendinho com Van Halen).

Rivers Cuomo - Isto é uma pena

header blog dmoreaux 1 - Esse artigo foi escrito por D\'Moreaux

2005: pro hype, foi há muito tempo. Pro Janco Tianno, é démodé. Para quem tem mais o que fazer, foi só mais um ano.

Listas de melhores do ano só servem para aqueles que se masturbam em cima de seus conhecimentos sobre assuntos que lhe agradam (discos, filmes, livros, gols, vinhos etc). Não tem nenhuma utilidade — prática ou teórica — para a maioria dos mortais; não melhoram em nada o mundo. Por exemplo: A Ghost is Born do Wilco — dito o melhor de 2004 –, não serve nem pra limpar a bunda do Lou Reed — que fez o melhor álbum de 1967, Velvet Underground & Nico, batendo Sgt Peppers e Their Satanic Majesties’ Request. Aliás, dá vergonha supor que o Jeff Tweedy está no mesmo patamar de Brian Jones e Paul McCartney. Mesmo até do Ringo.

Em suma: se a qualidade da produção musical fosse tal que se lançasse uma obra-prima por ano, talvez fosse relevante listar os melhores de cada década. Talvez.

Matisyahu - Tudo que você queria de um pop star

Bem, chega de digressão e vamos ao ponto deste post: os piores de 2005. Não lembro de nada do ano passado digno de ser camp (algo tão ruim que seja bom, como o filme “Showgirls“), ou algo tão ruim que seja melhor se esquecer (er… na verdade teve Matisyahu, mas essa anomalia do pop faço questão de fingir que não existe). Mas como esse site não estava no ar ano passado, e sendo sempre válido relembrar os erros do passado para não cometê-los novamente no futuro, escutem esses discos e aprendam o que não deve ser feito em matéria de música.

Moby - Hotel

Hotel - Pedala Moby!

Odiamos o Moby porque:

1) ele é cristão vegan, tem uma loja de chá e faz questão de afirmar isso a cada nova oportunidade;

2) ele é baixo, magro, careca, não sabe cantar e já pegou a Natalie Portman.

3) os publicitários o amam, tanto que 12 de cada dez comerciais do fim dos anos 90 / começo de 00 tinham uma música do Play (simplesmente todas as músicas do álbum foram licenciadas para algum comercial, e eram 18 faixas);

4) porque ele é, ao lado do Paul Oakenfold, o DJ mais hi-profile do mundo.

Na verdade, o único motivo pelo qual gostamos dele é porque o Eminem é seu inimigo declarado — e tudo que um rapper WASP do mainstream odeia deve ser bom. Se bem que o Moby nunca abriu a boca para defender sua honra ante as provocações do desafeto.

Se por um lado as músicas (as populares) do Moby são todas iguais, temos que concordar que elas funcionam — seja para criar um clima dramático, seja como trilha sonora não-enervante para lounges fino, seja como música de aquecimento em aulas de teatro amador. O problema é justamente quando ele fecha o “Moby Song Generator” do seu computador e se arrisca a fazer as coisas no braço; desce quadrado, machuca os ouvidos e não pega nem com macumba. A primeira vez que cometeu isso foi em 1997, com o disco Animal Rights, que fechava com “That’s When I Reach for my Revolver”, do Mission of Burma. A música, a mais emblemática do grupo, um denso e emocionante hino sobre o conformismo, é executada por Moby com bateria eletrônica do teclado de um cantor de churrascaria, e com empolgação, vibração e sinceridade que fariam qualquer cantor do Ídolos parecer o Iggy Pop.

Animal Rights foi tão ruim para a carreira do Moby que ele teve que fazer um upgrade no seu programa, criando o “Moby Song Generator 2.0″, responsável pela gravação de Play e 18, sem dúvida, pela transformação do nome Moby no que ele significa atualmente. Talvez querendo relembrar o gosto do fracasso, Moby mais uma vez abriu mão de seu programa e lançou Hotel, seu primeiro disco sem qualquer sample, no qual ele gravou todos os instrumentos (menos bateria), adotando uma pose mais “rockeira”. O resultado é um conjunto de faixas sem coesão (a não ser pela ruindade), marcado por letras mongolóides (como em “Beautiful”, sobre o amor entre celebridades), canções “politizadas” com a pegada de um Jota Quest tentanto ser pesado (”Lift Me Up”) e outra vez, uma tentativa fracassada de cover (”Temptation”, uma das músicas grudentas do New Order, transformada em uma coisa broxante sem emoção com uma voz feminina de dar sono).

Não bastasse tudo isso, a primeira edição continha um CD bônus de música ambiente inspirada em… hotéis (antes a inspiração fosse motéis, corria o risco de ser mais empolgante). O CD é tão desesperadamente chato que a única desculpa para sua existência é se for dedicado a pessoas com insônia por conta de jet-lag.

Weezer - Make Believe

Beverly Hills - Faz de conta que não aconteceu

Imagina a cena: você está casado há 15 anos e descobre a sua mulher na cama com outro. Não bastando isso, quando ela abre a boca confessa que está com aids há pelo menos 10 anos. Se eu fosse fã do Weezer, me sentiria assim quando escutei Make Believe. Como não sou, foi só como se Rivers Cuomo tivesse me dado uma tijolada na cabeça — se não matou, pelo menos serviu de aviso para nunca mais chegar perto de qualquer coisa ligada ao nome Weezer.

O lançamento do álbum foi mais ou menos como uma declaração do papa de que Jesus não existiu: um atestado da autoridade máxima sobre a banda (no caso, próprio Cuomo) de que tudo foi uma fraude, que o Blue Album e Pinkerton foram exceções, erros de percurso, e que o lance mesmo é rock farofa ruim. Aliás, só se enganou quem quis: antes do Weezer, Cuomo era guitarrista de uma banda de hair metal, o Avant Garde.

O disco parece uma sucessão de piadas de mal gosto atrás da outra. “Beverly Hills” tem a letra parece um tipo de piada interna que apenas os milionários podem entender, cantada sobre uma base plagiada de “We Will Rock You” e “I Love Rock’n’Roll”. “We’re All On Drugs” é provavelmente o ponto mais baixo da carreira da banda. É o tipo de canção que você esperaria de alguém que já se picou com tudo (Tommy Lee, Peter Doherty), e o fato de vir de alguém que alega ser um mestre iôgue naturalista formado em Harvard serve como evidência de que há coisas que causam mais danos ao cérebro que crack (no caso, seja lá o que o Cuomo toma no café da manhã).

O golpe derradeiro é “This is Such a Pity”: a música começa e você pensa: “Uau, pelo menos uma música boa, apesar dos arranjos de teclados completamente anos 80. Mas sabia que o Rivers ainda fazer refrões, não ia me decepcionar totalmente”. Aí chega o solo, com um duelo de guitarras que parecem retiradas da trilha sonora de “Top Gun“. Pronto, a gargalhada final de Rivers Cuomo e Rick Rubin (produtor do álbum, que já havia cometido “Walk This Way” do Run DMC com Aerosmith, e alguns discos do Danzig, Red Hot Chili Peppers, Slayer e Sistem of a Down — dá para sentir um certo padrão nas atrocidades cometidas, certo?).

… ainda falta The Dandy Warhols - Odditorium or Warlords of Mars

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