
Nada como ser cara-de-pau. Ter bastante gente no MSN também ajudou. Passei a tarde com “Troco minha alma por um ingresso pro LCD Soundsystem” como nickname, e não é que surgiram interessados em ajudar? Calma, nada tão Faustiano assim. Mas graças à colaboração dos caras do The Twelves e de uma amiga de faculdade, descolei o que eu acreditei ser um negócio justo. E depois de uma tarde de trabalho, alguns chopps e dois temakis, parti pro Circo Voador.
A chuva forte que caía atrapalhou o Multiplicidade, coletivo que se apresentava numa tendinha do lado de fora, perto do bar. Com pouco espaço coberto, acabou ficando longe da maioria que preferiu esperar a atração principal na lona mesmo. Foi nessa hora que eu vi que estava certo: ninguém parece ter pago os abusivos R$200 (R$100 se você fosse estudante) da entrada. Só VIPs, gente em listas, etc. E os cambistas do lado de fora vendiam por preços entre R$60 e R$80. Aposto que quando começou o show, isso caiu ainda mais.
E o show… Ao vivo, o LCD Soundsystem é uma banda de Rock. É bom lembrar disso. James Murphy é vocalista e percussionista. Percussionista é um termo que é melhor explicar. Percussionista é o Ivo Meirelles. James Murphy só com o cowbell faz mais barulho que a indústria agropecuária brasileira inteira. E ainda toca metade da bateria, se arrisca nos teclados em algumas músicas e canta. Timidamente, entre uma e outra música, ele até arrisca um “obrigado”, e o indefectível “you are the greatest crowd ever”. O resto da banda se comporta muito bem. O baixista é os cornos do Thurston Moore, a tecladista tem cara de Yoko Ono coreana, até pelos gritinhos e guitarra e bateria seguram muito bem a pressão.
A banda teve alguns problemas no início do show, que fizeram com que os silêncios entre as músicas ficassem mais longos do que deveriam. Nada que chegasse a tirar o entusiasmo das - chuto - 2000 pessoas que estavam lá na lona, apesar da chuva, do preço dos ingressos e tudo mais. E que foram brindados com um show que não é electro + rock + punk como foi anunciado nos lambe-lambes pela cidade e sim tudo isso junto, e muito mais. Daft Punk Is Playing at My House foi a segunda, e serviu bem à tarefa de deixar todo mundo pronto pro que viria depois. Petardo depois de petardo, groove depois de groove. E muito cowbell. Muito.
Destaque pra All My Friends, que já era uma das músicas do ano antes do show e agora tá lá absoluta, pela força que ganhou ao vivo. Uma pena que pra pergunta “Where are your friends tonight?” a resposta fosse “tiveram que ficar em casa porque estão cobrando os tubos nesse ingresso”. Get Innocuous e a cover de No Love Lost do Joy Division já no bis. O encerramento foi o mais inesperado: New York I Love You (But You’re Bringing Me Down), à meia luz, em arranjo minimalista. E cantada pela maior parte da platéia à plenos pulmões.
E foi assim que foi. Tomara que da próxima vez eu não precise da minha cara-de-pau pra pagar um preço justo. Porque eu pagaria de novo, feliz. E gostaria que mais gente pudesse ter visto o que eu vi ontem.
Depos do show, o The Twelves começou um belíssimo set. O público já mais disperso (e depois das 2h da manhã de uma sexta chuvosa, num espaço razoavelmente aberto, não era pra menos) dançava na pista ao som da dupla que é tão divertida ao vivo quanto nas gravações que já rolavam por aí. Pena que não os encontrei antes pra agradecer pessoalmente pelo favor da lista. Mas com certeza terei outras oportunidades de vê-los ao vivo. Até porque ontem, eu tava morto, e acabei saindo depois de pouco mais de 30 minutos deles tocando. Mas estão muito de parabéns.
(Faço update aqui assim que arrumar fotos/vídeos do show, apareçam.)