
Foi tanto esmero na organização que parecia até provocação com o TIM Festival (principalmente o de SP). O Planeta Terra contou com shows pontualíssimos, filas sempre abaixo dos 3 minutos (ok, não estava tão cheio assim também), estrutura legal e staff simpático. Sério, o festival foi impecável do ponto de vista da organização. Tirando pros menores de idade que parece que foram barrados aos montes. Mas aí já é outra seara. E como não sou pirralho, tô pouco ligando.
A pontualidade atrapalhou um pouco. Eu pretendia ver ao menos uma parte do show do Tokyo Police Club, mas quando cheguei na fila de entrada percebi que isso não ia rolar. Do lado de fora dava pra ouvir Bulldozer, do Datarock. Entrei o mais rápido possível, encontrei o galpão onde os noruegueses já se apresentavam e…
Datarock
… eles emendaram, uma atrás da outra, algumas das minhas preferidas. I Used To Dance With My Daddy, Computer Camp Love e Sex Me Up colocavam um público bem grande - provavelmente de fãs do CSS e Rapture em sua maioria - pra pular e dançar. Musicalmente em algum lugar entre o New Rave e o Talking Heads, o show me lembrou muito a noite em que eu vi o Super Furry Animals levantar a Copa do Mundo, na primeira edição do TIM. Bandas que se divertem tanto assim no palco merecem a aclamação, e não foi pra menos. Quando começou a linha de baixo de Fa-Fa-Fa, o galpão inteiro respondeu em uníssono à pergunta de Fredrik Saroea “Do you know the name of this song?”.
O vídeo é tosco, mas dá pra ter uma idéia de como foi. Se achar um melhor depois, troco
E quando eu achava que isso seria o final, eles me fazem uma das coisas mais surreais que já vi em show. Um karaokê. De I’ve Had The Tie of My Life. É, a de Dirty Dancing. Um galpão inteiro cantando Iiiiiiiii’ve had the time of my liiiiiiiiiiiife / No, i never felt this way befooooore / Yes, I sweeeeeear it’s the truth / And I owe it all to you”. Enquanto isso, aproveitavam pra fotografar o público, se jogar na galera e tudo mais.
Foda. Muito foda.
Lily Allen
De vestidinho roxo, microfone verde-neon combinando com as unhas, havaianas (e depois descalça) e transbordando carisma, a menina esqueceu letras, enfrentou alguns (poucos) problemas com o som, riu meio tímida das próprias piadas, admitiu que tinha bebido um pouco demais antes de subir no palco, cantarolou música do headliner e falou que “fuckin’love Kasabian” e basicamente encantou os fãs que estavam lá. Transbordava carisma, e era fofíssima.
A banda é azeitada e tudo mais, mas os intervalos entre as músicas eram longos. Sorte que Lily acabava sempre falando alguma besteira e ajudava a passar o tempo. Na metade do show, muita gente começou a debandar do palco principal pro galpão indie, onde o CSS ia começar. Fiquei, e fui brindado com uma cover de Gangsters do Specials, outra de Everybody’s Chaging do Keane e finalmente a de Heart of Glass, muito boa mesmo.
Lily Allen esquece a letra de Not Big e confessa: “I’m a little bit drunk”.
Ao final da simpaticíssima apresentação, corri pro
Cansei de Ser Sexy
E ouvi Let’s Make Love and Listen to Death From Above. E só, porque era a última do show deles. O galpão transbordava gente, e tive a impressão de que foi o show mais cheio da noite. A platéia cantava junto, e muita gente em volta depois comentava que o show foi bom. Não pude julgar, mas acho que pode muito bem ter sido. Vamos ver se eles não aparecem pelo Rio quando estiverem gravando o disco novo. Aliás, rolou uma nova no show, e quero ouvir.

Quero entender essa roupa da Lovefoxxx, alguém consegue explicar?
Devo
Confesso o pecado indie: assiti a menos da metade do show do Devo. Mas peguei uma sequência fuderosa de Whip It, Secret Agent Man, e a cover de Satisfaction. Estava foda, e eu hesitei muito pra sair ali, mas tinha que dar outra chance ao
The Rapture
E não me arrependi. Em 2003, saí depois do já citado show do SFA pra descansar um pouco (tinha White Stripes logo depois) e não prestei atenção na banda de NY. Só conhecia uma música, a óbvia House of Jealous Lovers, que inclusive eu achava meio histérica demais. Não sei se foi tanto o meu gosto que mudou, mas fato que o som deles passou a me agradar muito mais com o último disco.
Daí voltei ao galpão indie, e assisti a uma apresentação cheia de neon e totalmente pista de dança. Muitas vezes eles aproveitavam pra emendar uma música na seguinte, inclusive fazendo isso na hora do bis, com a banda quase toda saindo do palco e voltando aos poucos, um instrumento entrando de cada vez. Platéia empolgada, banda empolgada (apesar de falarem pouco com o público), ótima apresentação.
E vale a obs: o som da banda mudou sim, e pra melhor. Achei a própria House of Jealous Lovers bem diferente, com muito mais groove. Seria foda se eles relançassem ela nessa nova roupagem como single, aliás. Ah, e Olio também. Mas o grande destaque foi pras músicas do Pieces…, como The Devil, Don Gon Do It e Get Myself Into It, apoteótica.
Kasabian
O show do Rapture acabou pontualmente a 1h, horário previsto pra entrada do headliner. Aí, o único atraso do festival. De 25 minutos. É, isso. E parte deles pra organização agradecer ao público, e convidar todos pra uma reapresentação do dupla de djs Layo & Bushwacka no galpão indie, bela sacada. A festa não precisava terminar.
Eles têm pretensão pacas, se acham e demonstram isso. Sergio Pizzorno faz pose de guitar hero, Tom Meighan tem pose e a banda chama o público pra participar o tempo inteiro. E ainda bem que são assim. Porque o Rock precisa de empáfia, porra. E se uma banda quer ser grande, tem que agir de acordo.
E o Kasabian fez um show de gente grande. Ao vivo, a banda lembra muito o Oasis pela atitude (e eventualmente no som, como em By My Side). Musicalmente, ficam muito mais pra uma mistura de Primal Scream e Happy Mondays, com ecos até de Verve e Suede. Aliás, a banda cresce MUITO ao vivo, e dá pra notar muito mais as influências, o que é sempre muito bom.
No meio do show, citaram ainda The Kinks e Primal Scream, falaram de futebol (e fizeram piadas sobre os anúncios de Viagra com o Pelé: “he’s got some erection problems, doesn’t he?”). No fim das contas, foi um show do caralho, feito pro ar livre e pra fechar uma grande noite da única maneira possível: espantando o cansaço com peso e pose.

Tom Meighan tem a pose, tem a manha. E tem também barriga de chopp.
Meus parabéns ao Planeta Terra. Supostamente, dá pra ver os vídeos de todos os shows aqui. Eu não tô conseguindo, mas pode ser só comigo.

Datarock pedindo ao fotógrafo da produção pra tirar foto deles com a galera vibrando ao fundo. Acho que eles tiveram mesmo o time of their lives.

