Todo esse bafafá sobre 300, e meio que esqueceram que tudo é baseado em um história real (será?) Se fidelidade já não era o que Frank Miller buscava no original, me leva a outra pergunta: fiel a que? A visão de Heródoto?
Enfim, só agora percebi o quanto gostei de Criação, do Gore Vidal. Apesar de não ser nenhum entusiasta de romances históricos, me dei conta agora do quanto o livro é bom.
“Criação” são as memórias de Ciro Espítama contadas para o sobrinho neto Demócrito (que viria a se tornar o filósofo grego). Já velho, cego e um tanto amargo e hirônico, Ciro faz um um contraponto à História de Heródoto, narrando suas viagens e sua busca por uma explicação para a “criação”.
Neto de Zoroastro e amigo de infância do rei Xerxes, Ciro é um quase-nobre (por conta do prestígio do avô), e por conta de sua cultura (e amizades) se torna embaixador da Persia, sendo enviado para a Catai (China antes de ser China, então diversos países em constante guerra), Índia (antes de ser Índia), Grécia (apenas no amanhecer da cultura que a tornaria importante para a civilização ocidental).
Apesar de ser enviado por motivos políticos e econômicos, o real interesse de Ciro em suas viagens é a sua busca por respostas sobre a existência. Por conta disso, ele conversa pessoalmente com Lao-Tsu, Confúcio, Mahavira, Buda e Socrates, os homens que viriam a marcar a cultura ocidental e oriental.
O livro acaba sendo um extenso e pretenso curso de religiões pré-cristãs e história alternativa. Mas muito bem escrito, um tanto cínico é com um bom-humor cáustico.
Eu recomiendo.


