Antes de mais nada, mal aí o atraso. A vida acadêmica tá dando uma corrida na boêmia.

Depois de termos eventos e shows criticados por estrutura (problemas de som, localização e até preço de entrada), nada como ver uma coisa realmente organizada. Pena que pra isso a gente tenha que pegar a Dutra. Fica mais uma vez aquela impressão chata de que em SP as coisas funcionam e no Rio não. No caso do Nokia Trends desse ano, a impressão é acertada.
A chuva torrencial que caiu naquele sábado me deixou bem apreensivo. Afinal, a noite anterior que passei no Anhembi - para um Skol Beats com FischerSpooner e Basement Jaxx - havia me rendido umas das piores gripes da minha vida. Saber que o haviam feito uma área menor e coberta me fez deixar o guarda-chuva pra trás, mas daí surgiram outros questionamentos. Será que o som ia segurar? Com dois palcos, não ia embolar tudo? E as tais áreas multimídia, como seriam, e onde?
Assim que entrei, foram por terra. Um espaço bem arrumado e com som ambiente agradável servia como hall de entrada e corredor principal, com os tais espaços multímidia (assistir filmes no celular, colocar os seus no telão e outras coisas do gênero que ajudam a vender o festival pra mídia como “inovador”) se espalhando, assim como bares. Daí, outra surpresa agradável: a cerveja nem estava absurdamente cara. Por R$4, na noite paulista, nunca tinha visto.
Outra boa surpresa. Apesar do nosso quase atraso, não havíamos perdido nada do que queríamos ver. O Soulwax começou pouco depois de entrarmos, encontrando metade da noite carioca no processo. O bom eletrônico deles ajudou o clima a ficar bem legal. A chuva parecia ter segurado um pessoal em casa, e o som estava muito, muito bom. Deu pra gravar um trechinho.
A segunda atração era um dos principais motivos pra viagem. E o Hot Hot Heat não esteve nem perto de decepcionar. Um show irreprensível, que ainda contou com a participação do batera da atração seguinte, o We Are Scientists. Empolgou a platéia, e no fim da noite era apontado como o melhor por 9 em cada 10 presentes. Fodão mesmo. Fiz alguns vídeos.
O início, com direito a câmera-indo-em-direção-ao-palco.
Bandages, fechando o show e com o inevitável “obrigado”.
We Are Scientists entrou com a platéia ganha, e manteve o nível. Pra uma banda razoavelmente desconhecida, com um único disco e dois hits, conseguir empolgar foi um feito e tanto. Mas o clima da noite era ótimo e eles souberam aproveitar. Destaque para os papos de bêbado entre vocalista e baixista. Ao fim, a brodagem com o Hot Hot Heat aparece de novo, com a banda canadense se juntando à californiana no palco.
O finzinho com The Great Escpae e membros do Hot Hot Heat espalhados pelo palco.
Minha idéia aí era pular o Bravery e curtir o 2 Many DJs no espaço Club, onde se revezavam DJs. O fato de TODOS os shows acontecerem exatamente no horário previsto ajudou, e lá fui eu ver de novo 50% do Soulwax. Mas, pois é. Eles começaram o set com alguma coisa new rave, tentaram mandar um Cansei de Ser Sexy. E, vendo que a platéia paulistana (formada basicamente por metrossexuais e patricinhas de óculos escuros) da tenda não correspondia, voltaram-se pro “electro” farofa. Pena. Um dia quero ver um set dos belgas como os que rolam gravados na internet.
Um pit-stop no banheiro - com folhas de eucalipto no chão daquelas cabines químicas, idéia bem sacada pra disfarçar o futum que pareceu funcionar - e peguei o Bravery na metade. A platéia se dividia entre fãs (que se divertem até com Fearless) e gente meio desinteressada, tirando pelos hits. Bom que nesses momentos sem graça dava pra conversar com a dupla de frente da banda anterior. Os cientistas Keith e Chris estavam no meio do público, e sempre super solícitos. Exceto pela menina que pedia um pouco de atenção demais ao vocalista, enquanto ele respondia “Seriously, my girlfriend would kill me“.
Janco Tianno & Chris Cain. E a cerveja do backstage era Stella Artois!
A hora avançada e o show do Bravery tiveram o efeito óbvio. A platéia já estava desabando de sono às quase 5 da manhã, quando o Ladytron subiu no palco. O som impecável a noite inteira ajudou muito o som calcado em synths. Seria excelente como um chill out do WAS. Mas depois daquela maratona toda, não segurou. meu senso crítico já não estava desperto o suficiente pra lembrar de nada, além do que o som realmente estava impecável até o fim. Saí no que parecia ser o final, prevendo uma luta ferrenha por táxis quando acabasse o show. Deixei pra trás uma banda que tenho vontade de ver de novo, e uns 3 mil paulistanos de óculos escuros que bombavam ao som de ume eletrônico que não me arriscaria a definir, mas nem parecia bom.
Enfim, uma noite pra provar a todos os outros fetivais que dá sim pra aliar um bom line-up, ótima estrutura e preços razoáveis (R$60 de entrada, R$4 pela cerveja, R$2 pela água). Ouviram, Vivo e TIM?
*Mal pelo péssimo trocadilho do título.
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