

The Dandy Warhols - cordeirinhos
Nos primeiros quatro álbuns de sua carreira, os Dandy Warhols produziram músicas memoráveis o suficiente para encher um disco. Apenas um. Eles nunca emplacaram em casa (EUA), mas a mistura de refrões pegajosos, visual modernoso e indefinição sexual fez com que eles funcionassem junto ao público britânico.
Isso até 2004, quando o excelente (mas tendencioso) documentário DiG! ganhou o festival de Sundance. O filme contava as histórias paralelas dos Dandy Warhols e sua banda irmã/amante/nêmesis, o genial Brian Jonestown Massacre. Se os DW conseguiram contrato com gravadora e alguma badalação — apesar de serem uma promessa que nunca se cumpriu –, Anton Newcombe (o homem por trás do BJM) era o protagonista — além de ser quem primeiro descobre os DW, é um artista prolífico e um verdadeiro revivalista dos anos 60, no bom e no mau sentido (música e drogas, respectivamente).
Depois do sucesso do filme, os holofotes finalmente se viraram para Anton Newcombe, que até então cruzava a América em vans para realizar seus memoráveis e imprevisíveis shows, em bares sujos e clubes obscuros. E restaram duas pergunta: Anton Newcombe é um gênio mesmo? E os Dandy Warhols, qual o valor deles?
O primeiro lançamento de cada banda seria a resposta. Bem, diz um ditado que é melhor ficar calado e dar a impressão de burro do que abrir a boca e confirmar a impressão. Quanto a Newcombe, a pergunta foi respondida com uma charada curta, o mini álbum (não EP) We’re the Radio. São cinco músicas, duas instrumentais, minimalismo, sons orientais, psicodelia e pouca voz de Newcombe (a maioria dos vocais são femininos). Se não é uma obra prima, é um bom disco, um trabalho experimental com sonoridades orientais que remetem ao Their Satanic Majesties’ Request, disco singular dos Rolling Stones (aliás, Brian Jones, finado guitarrista dos Stones, é o principal culpado pelo disco e principal inspiração do BJM).
Por outro lado, os Dandy Warhols, querendo mostrar serviço, lançaram Odditorium or Warlords of Mars, o pior álbum de 2005. O disco começa com um curto spoken word sobre como eles inventaram o Rock’n’Roll depois da Segunda Guerra Mundial (isso mesmo, a origem do estilo de acordo os Dandy Warhols). Depois entra uma música de 9 minutos, seguida por outra de 7, ambas chatas e sem sentido (podiam ser músicas ruins de 3 minutos, mas de repente viram jams mal tocadas, cansativas e pouco criativas). As duas únicas músicas mais ou menos do disco “All The Money Or The Simple Life Honey” e “Down Like Disco”, se destacam não por serem boas ou catchy, mas pelo fato de serem apenas meia-boca em meio a tanta ruindade.
A impressão que dá ao terminar de escutar o disco é que eles tentaram seguir a fórmula Anton Newcombe de genialidade — ou seja, se entupir de drogas — mas como eles são fake prentensiosos não tiveram coragem de usar agulhas, então fumaram toneladas de maconha, acharam que músicas de nomes engraçados e 10 minutos de duração era sinônimo de brilhantismo e cheiraram um pouco, o suficiente para dar a autoconfiança para lançar um tiro no pé como Odditorium

Tão ruim que nem ninguém se lembra
PS: Mas por que o Odditorium é o pior de 2005, e não o álbum do Weezer ou o do Moby, apesar destes últimos serem mais desprezíveis que o disco da banda de Portland? Simples: porque eu ainda gostava dos Dandy Warhols, e tinha alguma fé no potencial deles, coisa que eu não tinha mais pela banda que gravou com Muppets nem pelo DJ cristão.
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