
Enquanto o novo disco do Radiohead não vem, Thom Yorke nos brinda com um álbum completamente despido de guitarras (the eraser, um disco eletrônico chato, prentesioso e cansativo como uma foda mal dada).
O que falta de ginga, animação e originalidade no trabalho solo de Yorke pode ser encontrado em Radiodread, versão reggae do clássico OK Computer, de 1997, gravada pelo Easy Star All-Stars, mega banda formada por alguns artistas do selo nova-iorquino de reggae Easy Star.
O álbum não é um mero tributo, é uma releitura, reinvenção das músicas. Esqueça (se é que é possível) dos vocais atormentados e sussurrantes de Thom Yorke. Cada faixa é cantada por um artista diferente, dando climas completamente novos às canções.
Não é tão divertido quanto Dub Side of The Moon (releitura dub de Dark Side of The Moon, do Pink Floyd) que além de caprichar nos arranjos tinha vocais divertidíssimos, carregados no sotaque jamaicano (procure já e ouça a versão de “Time”), resultando em um quase pastiche. Em Radiodread parece que a descontração ficou meio de lado por conta dos vocais mais sérios (por exemplo, “Air Bag”, com vocais de Horace Andy — antigo colaborado do Massive Attack — ficou um pouco over).
Nem tão descontraído quando devia, nem tão trippy quanto poderia, o ponto alto de Radiodread é a versão reggae (animada, quem diria) de “Let Down”, com uns vocais meio gospel.
Quem é fã de Radiohead pode se irritar (mas não mais do que uma pessoa que goste de música se irritou com o Amnesiac) e quem não curte Thom Yorke e cia. pode dar uma nova chance às canções (que são excelentes, todas, sem exceção).
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